domingo, 12 de junho de 2016

O exercício da repetição na escritura acadêmica


A primeira lição que aprendemos na vida acadêmica é o da leitura – e no pacote também aprendemos como fazer repetição de textos e autoras. Em provas e trabalhos finais de disciplinas da graduação é comum que professores e professoras tenham a expectativa de que as alunas desenvolvam suas habilidades de boas leitoras – e repetir os textos lidos é um primeiro e importante ensaio. Uma boa leitora é alguém capaz de dizer o principal argumento das autoras lidas, seus objetivos e principais conclusões. Ou seja: deve-se aprender a repetir.

Essa pode parecer prescrição óbvia, mas nem sempre simples – repetir autoras densas como Judith Butler, Michel Foucault ou Kant pode ser uma tarefa árdua. Existem até livros de comentadores, espécies de manuais para leitoras iniciantes que desejam se aventurar nos escritos de autoras consideradas difíceis. Ler comentadoras pode ser um bom começo, mas é importante lembrar que até mesmo as comentadoras fizeram interpretações a partir dos textos lidos. Isso significa que não vale repetir o que escreveram, por exemplo, sobre um texto de Foucault como se fosse o próprio Foucault.

Dominar o exercício da repetição é um primeiro e bonito passo para exercitarmos o pensamento criativo. Seguindo à risca esse pensamento, meu conselho para as escritoras iniciantes seria: repita, repita, repita – mas sempre citando as fontes.

Mas é importante lembrar que repetir não é o mesmo que copiar e colar. Uma boa paráfrase não é um simples resumo do dito por outro que veio antes de nós. É também ler e pensar sobre o lido. Após dominarmos a escrita pela repetição estaremos prontas para dar o segundo passo: sentir as mãos e dedos coçarem para ensaio da criação. Mas esse é assunto para outro post...

Uma boa leitora pode tornar-se boa escritora? Confira o podcast:


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