A primeira
lição que aprendemos na vida acadêmica é o da leitura – e no pacote também
aprendemos como fazer repetição de textos e autoras. Em provas e trabalhos
finais de disciplinas da graduação é comum que professores e professoras tenham
a expectativa de que as alunas desenvolvam suas habilidades de boas leitoras –
e repetir os textos lidos é um primeiro e importante ensaio. Uma boa leitora é
alguém capaz de dizer o principal argumento das autoras lidas, seus objetivos e
principais conclusões. Ou seja: deve-se aprender a repetir.
Essa pode
parecer prescrição óbvia, mas nem sempre simples – repetir autoras densas como Judith
Butler, Michel Foucault ou Kant pode ser uma tarefa árdua. Existem até livros
de comentadores, espécies de manuais para leitoras iniciantes que desejam se
aventurar nos escritos de autoras consideradas difíceis. Ler comentadoras pode
ser um bom começo, mas é importante lembrar que até mesmo as comentadoras
fizeram interpretações a partir dos textos lidos. Isso significa que não vale
repetir o que escreveram, por exemplo, sobre um texto de Foucault como se fosse
o próprio Foucault.
Dominar o
exercício da repetição é um primeiro e bonito passo para exercitarmos o
pensamento criativo. Seguindo à risca esse pensamento, meu conselho para as
escritoras iniciantes seria: repita, repita, repita – mas sempre citando as
fontes.
Mas é
importante lembrar que repetir não é o mesmo que copiar e colar. Uma boa
paráfrase não é um simples resumo do dito por outro que veio antes de nós. É
também ler e pensar sobre o lido. Após dominarmos a escrita pela repetição
estaremos prontas para dar o segundo passo: sentir as mãos e dedos coçarem para
ensaio da criação. Mas esse é assunto para outro post...
Uma boa leitora pode tornar-se boa escritora? Confira o podcast:
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