domingo, 26 de junho de 2016

Primeiros passos para evitar um plágio não-intencional

No início da caminhada acadêmica não é surpresa se deparar com o plágio cometido por estudantes desavisados. Jovens estudantes – e ousaria dizer que até pesquisadores experientes – no momento em que são acusados de plágio e, quando sua materialidade fica comprovada, defendem-se dizendo que o ato foi não-intencional.

No último post falamos sobre a importância de aprender a ler e pensar o lido para o exercício da repetição como uma das etapas para nos tornarmos autoras. Repetir não é necessariamente sinônimo de plágio – e por isso há dicas simples para evitarmos o fantasma da pseudoautoria.

1.     A memória nos trai: o caminho para a escrita de um artigo, trabalho de conclusão de disciplina, monografia, teses e dissertações é longo. Isso significa que lemos e estudamos muitas fontes antes de iniciarmos a escrita. Alguns estudantes acusados de plágio justificam que as palavras alheias podem ficar na lembrança e se confundem com o texto no momento da escrita. Aqui é importante não confundir plágio com as rotas que percorremos durante o estudo e que nos influenciam na escrita. Na dúvida sempre cite as fontes.
2.     Organize as anotações de leitura: há quem goste de ler escrevendo. Um caderno colorido ou folhas de papel em branco acompanham muitos estudantes durante as horas de leitura. Novamente a repetição é exercício nas notas e fichamentos – estudantes copiam trechos e registram o lido. Mas notas pouco organizadas ou buscadas tempos depois da leitura devem sempre ser encaradas com atenção. Um trecho escrito em pedaço de papel pode ser do autor lido, mas um estudante desatento toma aquele trecho escrito a lápis como seu quando retorna meses depois ao papel empilhado em sua escrivaninha. Há uma dica simples que pode evitar o esquecimento sobre o que registramos em nossas notas de leitura: diferenciar as cores das primeiras ideias escritas a partir do texto dos trechos ainda não elaborados da leitura pode ser um primeiro passo para impedir um plágio desavisado. Se gosta de escrever a mão use, por exemplo, caneta para as notas ainda não elaboradas e lápis para uma nova ideia.
3.     Domine as regras da escrita acadêmica e normalização bibliográfica: não vale dizer que odeia a ABNT e que por isso faz questão de ignorá-la. Após uma acusação de plágio valerá pouco dizer que apenas se esqueceu de colocar autor-ano entre parênteses ou esqueceu o recuo das citações diretas. Aprender as regras básicas da escritura acadêmica nos custa muito pouco e evitará uma dor de cabeça futura. Aqui não é apenas a ABNT que importa – se vai enviar um artigo para uma revista certifique-se das normas editoriais.


Espero vocês em uma próxima oportunidade. Um grande abraço.

Você pode também conferir o Podcast aqui: 

https://soundcloud.com/palavrasescondidas/primeiros-passos-para-evitar-um-plagio-nao-intencional 


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