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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Plágio: por que o silêncio?

Nas últimas semanas, fizemos uma jornada de leitura de Plágio: palavras escondidas, livro que inspirou a criação deste blog. Abordamos temas selecionados de cada capítulo: desde o engano do leitor até a imitação criativa, a memória fotográfica, a autoria acadêmica, a diferença entre ética em pesquisa e em publicação, a retratação. Uma das conclusões de Debora Diniz e Ana Terra no livro é que, para falar de plágio, é preciso tagarelar sobre assuntos paralelos.

Silence (Alberto Ortiz, 2007)
Aqui e no livro, falou-se bastante, é verdade. Em nossos cotidianos acadêmicos, porém, o que teima em aparecer ainda é silêncio e tabu. Por isso, encerramos esta jornada de leitura reforçando o convite feito já em nosso primeiro post: precisamos falar de plágio, integridade, escrita na universidade — nas salas de aula, nos grupos de pesquisa, nos eventos acadêmicos. Se, de um lado, nenhum pesquisador nasce sabendo as convenções da escrita acadêmica, de outro, ousamos um interdito: o ponto final dessa conversa jamais deve ser um carimbo de retratação.


Convite feito, resta uma indagação: afinal, por que se faz silêncio sobre plágio? Ensaiamos uma resposta no podcast de hoje, que é um trecho do capítulo final de Plágio: palavras escondidas. Participe conosco desta conversa. Será um prazer ouvir sua voz por aqui.



Leia aqui a transcrição do áudio.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Triste fim de uma publicação acadêmica: a retratação

O que acontece quando se encontra um erro num artigo já publicado? Das duas, uma: ou o artigo será corrigido ou, na pior hipótese, será retratado. Em 2009, o Comitê de Ética na Publicação (COPE) desenhou diretrizes para auxiliar na tomada de decisão: uma publicação deverá ser retratada se divulgar resultados não confiáveis — por equívoco honesto ou por fraude; se não for inédita (um indesejado caso de redundância na literatura); se tiver plágio; ou se derivar de estudo que feriu princípios éticos em pesquisa.

Marca d'água sobre artigo retratado
De editores a autores, a retratação incomoda muita gente. Para os editores, publicar uma nota de retratação é fazer um pedido público de desculpas à comunidade acadêmica: no amontoado de originais concorrendo para serem aceitos, a revista selecionou justamente o manuscrito problemático. Por isso, retratar uma publicação é também uma forma de remendar a literatura, garantindo a integridade do conhecimento acadêmico e a transparência diante da comunidade de leitores — aquele artigo não será mais indicado como fonte confiável e merecedora de leitura, menos ainda de citação.

Por ter nascido noutro lugar
(Francisco Goya, c. 1810-1811)
Para os autores, ter um artigo retratado é uma sentença de constrangimento que pode chegar ao ostracismo: o carimbo vermelho que anula o texto parece anular, também, o respeito e a confiabilidade daquele pesquisador perante seus pares acadêmicos. O autor será relegado àquele cantinho da sala onde antigamente se castigava a criança mal-comportada: emudecido e ornado com o chapéu da vergonha.

O podcast de hoje fala desse triste fim da publicação acadêmica, a retratação. É um trecho do sexto capítulo de Plágio: palavras escondidas, livro de Debora Diniz e Ana Terra.


Leia aqui a transcrição do áudio.
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