Da antropologia à física, irregularidades éticas assombram todos os campos de conhecimento acadêmico. Muito antes de ser posto em circulação, um medicamento passa por uma série de testes clínicos. Já imaginou se são descobertas fraudes nesses testes? Essa não é uma pergunta tão hipotética assim. As narrativas acadêmicas contemplam numerosos casos de desrespeito à integridade — estudos em que houve, por exemplo, fabricação (invenção) e falsificação (adulteração) de dados, gerando não apenas escândalos em ciência, mas também impactos à saúde e à vida de seres humanos.
![]() |
| Há regras éticas para a pesquisa e para a publicação |
As infrações éticas se manifestam de variadas formas. Por isso, hoje vamos separar fenômenos: uma coisa é má-conduta em pesquisa, outra é má-conduta em publicação. Problemas éticos em pesquisa incluem, por exemplo, fabricação e falsificação de dados, descompromisso com o termo de consentimento, desrespeito aos melhores interesses dos participantes. Entre os problemas éticos em texto, estão paráfrases distorcidas, plágios, autorias fantasmas ou convidadas. Parece simples, mas não é uma distinção trivial: alguns autores e mesmo órgãos, como o Escritório de Integridade em Pesquisa (Office of Research Integrity), dos Estados Unidos, incluem o plágio entre as más-condutas em pesquisa, ao lado de fabricação e falsificação de dados.
E por que essa distinção é relevante? Porque nem sempre problemas na redação se resumem à matéria textual — um número indevidamente arredondado pode indicar problemas no método ou na análise —, por isso situar todos os desvios na publicação pode obscurecer equívocos anteriores à fase de escrita. Aliás, dados inventados ou manipulados podem aparecer antes mesmo de haver um artigo produzido, e isso não quer dizer que inexista a falha ética. Obviamente as infrações em pesquisa e em publicação podem estar relacionadas: se identificamos um plágio, por exemplo, imediatamente atentamos para a possibilidade de haver outros equívocos no estudo. Entretanto, não necessariamente todo desvio nas palavras, ou todo desvio na assinatura do texto, implica uma falha na pesquisa.
O podcast de hoje problematiza a circunscrição dos problemas éticos à publicação acadêmica. É um trecho do quinto capítulo de Plágio: palavras escondidas, livro de Debora Diniz e Ana Terra.
Leia aqui a transcrição do áudio.
