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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Toquem as trombetas, porque as aspas estão no ar!

A escrita acadêmica é econômica quanto aos recursos para repetir o que foi dito por autoras anteriores a nós. São apenas duas estratégias, a citação literal e a paráfrase, que normas como a da ABNT chamam de citação direta e citação indireta. O tema deste post é a citação literal: aquela em que se transcrevem exatamente as palavras da autora que nos inspira, igualzinho-que-nem no original. E existe um formato para essa repetição: a citação literal precisa ser autorizada pelo uso das aspas. Portanto, toquem as trombetas, pois as aspas já estão no ar!

As aspas estendem o tapete vermelho para a
passagem de outro autor pelo texto
A citação literal é uma cópia com pedido de licença, uma espécie de cópia consentida. E esse consentimento é obtido, além do uso das aspas, pela indicação de autora, data e página de onde veio o trecho transcrito (a imagem de nosso último post é um exemplo dessa prescrição). A exigência de página é um detalhe fundamental: diferencia a citação literal da paráfrase e informa à leitora a localização precisa daquelas palavras na fonte consultada. Sem as aspas, a leitora pressuporá que as palavras são de quem assina o texto como autor, por isso o maior risco corrido por um escritor descuidado ao esquecer as aspas é o de ser acusado de plágio. Sim: citação literal sem aspas é plágio, mesmo que se inclua a fonte entre as referências. Acredite, há controvérsias de plágio por aspas esquecidas (este caso, por exemplo).

Aspas, pra que vos quero? No livro A arte da pontuação, o agente literário Noah Lukeman diz que as aspas funcionam como trombetas: anunciam a entrada de uma nova voz no texto. É por isso que seu uso é tão importante: mais do que um sinal estético de pontuação ou tipografia, elas têm o sentido ético de reconhecer a outra voz que assume, por breves linhas, o microfone do texto. E é também por isso que as aspas — mais precisamente a citação literal — devem ser usadas com comedimento. Afinal, é à nossa expressão criativa que a leitora dedicará seu tempo, não a ecos alheios costurados em nosso texto.

Abramos alas, então, para o podcast de hoje, que dá dicas sobre a citação literal. Aprecie sem moderação: compartilhe conosco sua dúvida ou opinião sobre o uso das aspas.




Leia aqui a transcrição do áudio.
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