domingo, 23 de outubro de 2016

Faça backup

Um dia desses vi um cartaz na Universidade que dizia mais ou menos assim:

“Meu notebook foi levado do laboratório XX. Pago o dobro do valor de mercado. Minha tese está nele”

Senti profunda compaixão pela aluna que certamente estava desesperada imaginando como seria remota a recuperação seus escritos. Provavelmente alguém já conheceu uma alma aflita que perdeu um capítulo inteiro da monografia ou dissertação porque o computador pifou, acabou a luz sem salvar, ou um vírus maligno corrompeu o documento. Nem todas temos o azar de ver nosso computador ser roubado no momento de escrita da tese ou trabalho final; mas computador pifado, vírus ou arquivo corrompido são acontecimentos que fatalmente podem ocorrer durante nossa jornada acadêmica.
O que fazer para evitar transtornos maiores quando estamos em rotina intensa de escritura? A resposta parece simples: Faça backup. Mas não vale mandar e-mails diários para si mesma e acreditar que esteja fazendo o melhor backup da sua vida. No post de hoje darei duas dicas nada complicadas que podem facilitar a sua rotina e deixar suas preocupações ocuparem outros espaços.

Dica 1: Tenha um HD externo. Mas não se esqueça de fazer backups periódicos de todos os arquivos armazenados no seu computador pessoal. Uma estratégia interessante é a de fazer backups semanais, e sempre datados. Nunca apague do HD seu backup anterior, apenas quando o HD estiver completamente cheio. Quando isso acontecer vá descartando os backups mais antigos. Essa estratégia pode ser muito útil para contornar, por exemplo, situações em que apagamos sem querer algum arquivo importante e nos damos conta dias ou semanas depois. Mas não se esqueça de deixar o seu HD de Backup em um lugar seguro. Se levar na mochila o HD junto com o seu computador, ou utilizá-lo como se fosse um pendrive a proposta passa a ter pouco sentido.

Dica 2: Aposte na nuvem. Atualmente há várias alternativas gratuitas de armazenamento remoto. Há muitas vantagens, acreditem. Enumero três delas: a primeira é o recurso de atualização automática dos arquivos, uma segunda é o acesso aos documentos em diferentes computadores. A terceira vantagem está na possibilidade de compartilhamento de arquivos em grupos – em algumas opções, como por exemplo, GoogleDrive e OneDrive podemos editar arquivos em grupo e em tempo real, fazer comentários e criar pastas de compartilhamento com diferentes níveis de acesso. Quase todas plataformas de armazenamento remoto possuem versões gratuitas, mas há variações de funcionalidades e espaços disponíveis para armazenamento.

Abaixo listo os links de algumas plataformas para armazenamento remoto. Sugiro darem uma olhada e compararem cada um deles:

Google Drive (15 GB gratuito): https://www.google.com/drive/
One Drive (5 a  10 GB gratuito): https://onedrive.live.com/about/pt-BR/
Dropbox (2 a 16 GB gratuito): https://www.dropbox.com/pt_BR/
Box (10 GB gratuito): https://www.box.com/

Jumpshare (2 a 18 GB gratuito): https://jumpshare.com/

Você também pode ouvir o podcast aqui: https://soundcloud.com/palavrasescondidas/faca-backup 

domingo, 16 de outubro de 2016

Cuidado com as aspas

O tema de hoje é inspirado em uma inquietação que recebemos de uma jovem pesquisadora, mas certamente ela não está sozinha. Após escrever um projeto para seleção de mestrado, se deparou com o seguinte dilema:

 Percebi que algumas citações indiretas do projeto deveriam ser citações diretas, pois há trechos com as mesmas palavras usadas pelo autor citado. Isso pode me desclassificar?

No limite, a desclassificação da candidata na seleção seria possível, pois ainda com a inclusão do autor/ano o esquecimento das aspas poderia lhe render uma acusação de plágio, mesmo que não-intencional. Nesse sentido, a distração da escritora ou o desconhecimento das regras de comunicação científica não poderão ser desculpas para justificar o mal-uso das normas de pontuação na escritura acadêmica.

Por que um simples esquecimento das aspas poderia gerar medida tão drástica? Uma das respostas possíveis está localizada na diferença entre citação direta e paráfrase.
Já falamos por aqui e aqui das citações e seus diferentes usos na escritura acadêmica. A paráfrase é um texto secundário, nesse sentido, há autoria sobre o texto lido. Se as aspas estão ausentes no texto, uma leitora esperaria que o trecho lido não se trata de uma simples cópia do original, mas uma releitura com expectativa de autoria. No entanto, quando citamos uma fonte para informar nossas rotas literárias, algum modo, o texto terá semelhanças à fonte original. Isso significa que numa paráfrase damos as rotas das autoras que seguimos para construção das afirmações, mas a responsabilidade sobre o dito não será da autora original. Uma leitora atenta poderá perseguir nossa rota de autoras e colocar em xeque as afirmações parafraseadas, caso ultrapassem os limites do que poderia ser compreendido como uma interpretação razoável do lido. Por isso, a citação das autoras lidas deve ser regra básica para o exercício da integridade acadêmica.

Diferente da paráfrase, em que há expectativa de autoria, a citação literal é cópia do lido. E por isso as aspas são tão fundamentais – elas podem ser compreendidas como um sinal de alerta às leitoras. Em A Arte da Pontuação, Noah Lukeman (2005) descreve as aspas como "o sinal mais visível" (:119): seriam as trombetas do texto. Elas abrem e fecham o trecho forasteiro, ou seja, avisam a leitora o começo e o fim das palavras ditas por outras autoras diferentes de nós. Por ser a cópia de um trecho lido devem trazer autoria, ano e número da página.

Se na citação direta devemos indicar a página do texto copiado, na paráfrase não esperamos encontrar a indicação da página lida. Pois para elaborar uma paráfrase lemos muito mais que escrevemos: uma obra, um capítulo ou ao menos uma dezena de páginas foram lidas e estudadas para a escrita do trecho parafraseado. A paráfrase, portanto, é um dos principais espaços para o ensaio da escrita autoral. Por isso, não se descuide das aspas – se elas não estão no texto há uma expectativa de que aquele trecho deveria ser seu.

Você também poderá conferir o podcast aqui:


Lukeman, Noah. A Arte da Pontuação. São Paulo: Martins Fontes, 2005. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Quer organizar a sua rotina? Experimente o Trello

Vivemos na era da tecnologia. Minha afirmação pode parecer piegas ou até exagerada, mas em tempos de smartphones que mais parecem computadores, tablets e notebooks velozes e mais leves que muita bolsa carregada de inutilidades imprescindíveis, faz sentido voltar sempre por aqui para apresentar uma ou outra invenção tecnológica. Apesar de amante dos cadernos coloridos com páginas amareladas, acredito que a tecnologia pode ser um recurso bem interessante pode deixar a nossa rotina de estudos e escritas um pouco mais leve e organizada.
É nesse espírito que lhes apresento o Trello. O Trello é um organizador de tarefas – simples e intuitivo para organizarmos nossa vida. No Trello conseguimos organizar tudo: rotina de escrita, estudos, trabalho e outros pequenos ou grandes projetos (inclusive uma viagem de férias). A plataforma é gratuita e o cadastro pode ser feito no site. Há também um aplicativo para celular ou tablet. O Trello é basicamente um quadro onde vamos construindo listas e dentro dessas listas podemos fazer outras listas. Parece difícil? Não culpe o Trello, provavelmente minha explicação é que está sendo pouco didática. Mas vou tentar mostrar para vocês como funciona.
Quando você entra na plataforma encontra um grande quadro vazio, mais ou menos assim:


O quadro poderá ter o nome que escolher, por exemplo: “Monografia”; “Pesquisa Proic” ou “Quadro de leituras”. O mais interessante do Trello é a possibilidade de trabalhar em grupos. Ou seja, podemos tanto criar quadros privados como também compartilhados com colegas. Todas as pessoas adicionadas terão uma visão geral e simultânea do quadro e todas poderão editá-lo. Pode-se, por exemplo, compartilhar planos, metas e divisão de tarefas. Tudo pode ser organizado a partir de cronogramas com prazos que podem ser diários, semanais, mensais ou qualquer outro.

A partir dos quadros, podemos criar listas. Dentro de cada lista é possível adicionar cartões, nesses cartões há espaço para a inclusão de checklists, data de entrega, ou anexar arquivos, links e imagens. Além disso também podemos atribuir tarefas aos participantes do quadro. Na imagem abaixo há um exemplo de duas listas criadas dentro de um mesmo quadro:


As possibilidades do Trello são infinitas. Explorar a plataforma certamente será a melhor forma de descobrir como o Trello poderá ser útil a partir de cada demanda. É possível, por exemplo, deslocar as listas criadas, mudar a ordens dos cartões ou arrastar os cartões para novas listas. Abaixo estão alguns links com exemplos das possibilidades do Trello.
Uma breve explicação sobre o Trello:   https://trello.com/tour
Quadros que poderão ser utilizadas como inspiração: https://trello.com/quadrosinspiradores

Você também pode conferir o podcast aqui: 


domingo, 2 de outubro de 2016

Revisão da literatura: mapa de autoras

Já falamos por aqui sobre a centralidade da revisão da literatura no planejamento de uma pesquisa ou exploração de um novo tópico de estudo. Revisar o estado da arte de textos produzidos é uma das primeiras etapas para a composição de um projeto de pesquisa. Após escolhido um tema de interesse, a revisão da literatura se mostrará um importante passo na compreensão do que poderá ser o escopo de sua pesquisa, ideias sobre como conduzi-la, e claro, se aproximar das autoras fortes de sua área de interesse – e não se esqueçam de que elas podem estar na ciência, na filosofia ou na literatura.
O levantamento da literatura pode se tornar tarefa quase infinita, pois os primeiros textos lidos abrirão portas para outros textos a partir de referencias cruzadas. Cruzar referências é um recurso muito interessante que consiste em checar as referências citadas do texto lido para também buscar aquelas que lhe interessam – assim seguirá um percurso de leituras e estudos semelhante ao das autoras que gosta, mas ao mesmo tempo descobrindo novas ideias. No entanto, devemos tomar cuidado para não nos perdermos diante da vastidão de textos produzidos por outras pesquisadoras que vieram antes de nós. Por isso a definição de palavras-chaves é tão fundamental. As palavras-chaves servirão como guia para uma busca de fontes precisa.
Um recurso muito interessante e que poderá ser utilizado durante todo processo de levantamento e revisão da literatura é o mapa de autoras. A construção de um mapa de autoras nos possibilita revisar, ampliar, diminuir ou rever o escopo de textos e autoras-chaves levantados para em seguida estudarmos em profundidade a literatura levantada. Essa ferramenta foi desenvolvida por John Creswell e pode ser conferida em mais detalhes no livro Projeto de Pesquisa. Debora Diniz também fala sobre a utilidade dessa ferramenta em Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa. Abaixo está um exemplo trazido por Debora Diniz de um mapa de autoras construído por uma de suas orientandas. Ela queria entender “como a mídia impressa apresentava o crack, se como uma questão de saúde pública ou segurança pública” (Diniz, 2013, :60).

Um mapa de autoras é uma organização visual da literatura a ser estudada tendo como base o tema central da pesquisa que será realizada. O mapa poderá ser dividido em tópicos e organizado por hierarquias.  Os tópicos podem ser organizados em caixas e divididos em categorias. Para cada tópico ou categoria uma lista de estudos poderá ser elencada. Considere incluir diferentes níveis e ordens de prioridade no mapa de literatura, esse recurso poderá ajuda-la a deixar a etapa de revisão mais precisa e consistente. 
A construção do mapa de autoras provavelmente nos exigirá algum tempo e paciência, pois será necessário definir o problema de pesquisa e as categorias-chaves do estudo. Além disso, para sua construção teremos que conhecer um pouco da literatura para daí reconhecer quais fontes importam e aquelas que poderão ser deixadas de fora. Mas não desanimem, o mapa de autoras certamente será uma ajuda valiosa, pois servirá como um registro visual das ideias e categorias que comporão sua pesquisa.

Você também poderá conferir o podcast aqui: 
Tecnologia do Blogger.

Envie-nos sua dúvida ou história de plágio

Nome

E-mail *

Mensagem *