A maioria dos cursos
de graduação em ciências humanas e sociais tem como exigência a defesa de uma
monografia para conclusão do curso. Apesar das estudantes saberem que a escrita
da monografia será uma das condições para o recebimento do diploma, a
existência deste fato é deixada do lado e, na maioria das vezes, só reaparece um
semestre antes do prazo da entrega do texto. Com o prazo apertado, as
estudantes ficarão ansiosas e correrão contra o tempo para decidir sobre o que irão
escrever, e muitas ainda terão que ir em busca de um orientador ou orientadora.
É nesse sentido que acredito
que um dos maiores desafios enfrentados por estudantes de graduação está
localizado antes mesmo da escrita: na delimitação do tema e definição do
problema de pesquisa. Quando chega a hora de planejar a monografia muitas
estudantes se perguntam: mas como vou definir meu referencial teórico? Como ter
ideias para o meu problema de pesquisa? Como saber quais textos ler? Ou
simplesmente se perguntam: Por onde começar? Saibam que há saídas para essas e
outras dúvidas tão comuns e que afligem tantas jovens estudantes. Nas próximas
semanas tentarei responder estas e outras perguntas.
Mas, além das dúvidas
e angústias, há outro detalhe que provoca arrepios em algumas estudantes quando
pensam que terão que enfrentar a escrita da monografia. Diferente das
estudantes que desejam seguir carreira acadêmica com planos para cursar mestrado
ou doutorado, as estudantes que querem receber o diploma para iniciar a vida
profissional em outros espaços podem ficar desestimuladas, pois em alguns
momentos acabam encarando a monografia como uma perda de tempo. Talvez um dos
motivos para tal desânimo venha de uma compreensão equivocada sobre a
monografia estar descolada daquilo que entendem como a prática profissional.
É verdade que a
escrita da monografia se diferencia da escrita de um parecer ou qualquer
documento assinado por um profissional no exercício de sua profissão. A
monografia deverá se enquadrar em determinadas regras da escritura acadêmica:
problema, métodos e referencial teórico compõem algumas das exigências de avaliação
de um texto acadêmico. Mas isso não significa a impossibilidade de descobertas
e aproximação com o tema de seu interesse.
A monografia poderá
ser o único texto acadêmico de sua vida – por isso, meu conselho é tentar fazer
desta experiência um momento leve e rodeado de descobertas. Mas como fazer
isso? Escreva sobre aquilo que tem curiosidade, um tema que em alguma medida lhe
mobilize. Em outras palavras, escreva sobre algo que importa para você. Mesmo
que a vida depois do diploma lhe desvie para outros caminhos use este momento para
escrever sobre um interesse ou desejo. Pense em temas que lhe despertam
curiosidade, seja por razões políticas ou pessoais. Verá que exercer a escrita
sobre algo que gosta terá um efeito diferente e poderá até transformar este
momento da escrita da monografia em beleza e descoberta. A experiência, quem
sabe, deixará de ser mera obrigação.

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