Há muita coisa
escrita sobre esse tema. Blogs e sites de revistas de grande circulação adoram
publicar vez ou outra um artigo com dicas sobre “como deixar de ser um
procrastinador” ou “10 coisas que você deveria saber para deixar de
procrastinar hoje”. Tenho muitas dúvidas se esse tipo de texto funciona ou se
na verdade teriam um efeito oposto de angustiar ainda mais jovens pesquisadoras
que estão com prazos apertados para a qualificação, escrita da dissertação ou
monografia.
Há um livro muito
bacana sobre esse tema que recomendo leitura chamado A arte da procrastinação: como realizar tarefas deixando-as para depois,
de John Perry. O livro é exatamente sobre o que o título diz – ele discute como
a procrastinação pode também ser encarada como uma característica não tão terrível
assim. Na verdade, a maioria das pessoas procrastinadoras trabalham muito e
fazem muitas coisas bacanas, mas apesar disso procrastinam.
Perry é um filósofo e
professor na Universidade de Stanford, mas também se intitula como um procrastinador estruturado, ou seja, “uma
pessoa que faz muito ao não fazer outras coisas” (:15). Isso significa, nas
palavras de Perry, que procrastinadores não são pessoas detestáveis ou
preguiçosas, mas podem ser considerados por muitos “seres humanos eficientes,
respeitados e admirados por tudo que realizam e pelo bom uso que fazem do seu
tempo” (:21). Parece paradoxal? É aí que
está a beleza do livro.
O aparente paradoxo
do livro é justamente porque Perry defende que muitos procrastinadores são na
verdade pessoas que trabalham muito, mas teriam muita dificuldade com prazos
deixando sempre as tarefas mais importantes para depois. Isso não significa que
procrastinadores deixem de honrar com seus compromissos – mas o prazo e o tempo
se tornam quase sempre um problema, pois as tarefas importantes são deixadas de
lado e trocadas por outras nem tão importantes assim, ou podem até ser importantes,
mas certamente menos urgentes.
Assim, não acredite
que procrastinar é sinônimo de preguiça, muitas vezes é apenas uma questão de
dominar o uso do tempo e listar prioridades. Sabe aquela velha e boa técnica de
escrever uma lista de tarefas em um pedaço de papel? Perry diz que esta é uma
das melhores técnicas para apaziguar as almas dos procrastinadores de plantão,
pois as tarefas terminadas terão sido riscadas e estarão no papel para olharmos
e nos alegrarmos com a finalização dela. Ele aconselha fazer uma lista diária,
mas sempre com tarefas miúdas. Se houver uma grande tarefa, uma saída seria
dividi-la em pequenos atos para que seja possível cumpri-la em um dia. A ideia
é fazer a lista no dia anterior – pois não corremos o risco de adiar a tarefa
de fazer a lista de tarefas. Se você tem por exemplo uma meta de estudar um
livro ou analisar várias entrevistas, pode ser interessante listar pequenas
tarefas para alcançar esta meta, pois assim conseguirá ver o seu progresso
diariamente e em poucos dias terá feito muito. E verá que aquela tarefa que
parecia intimidadora não era impossível de ser concluída. Mesmo tendo
procrastinado um pouco.
O livro é bem-humorado
e pode ser lido em uma tarde. Você pode procrastinar lendo este livro. Verá que
procrastinar não precisa ser encarado como um pecado mortal – mas é importante
conhecer estratégias para o uso do tempo e avaliação de prioridades.
Perry, John (2012). A arte da procrastinação: como realizar tarefas deixando-as para depois.

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