domingo, 17 de julho de 2016

Cópia, paráfrase e pastiche: nem tudo é plágio

Em um texto acadêmico podemos copiar autoras sem necessariamente sermos confrontadas com uma acusação de plágio. Há inclusive regras de normalização textual para as cópias: aspas, recuos e indicações das páginas copiadas são pequenas e importantes regras para aquilo que comumente chamamos de citação direta. Podemos fazer uma cópia literal por diferentes motivos: homenagear uma autora que admiramos; por entender que o trecho copiado é fundamental para a compreensão de nosso argumento; ou porque reconhecemos uma anterioridade criativa.

A cópia pode ser uma prova de honestidade intelectual, pois o trecho copiado virá sem alteração de pontuações ou palavras – tudo deverá ser exatamente igual. Usaremos as aspas para alertar a leitora que o texto não é nosso e indicaremos a página da obra citada para a leitora perseguir, se assim desejar, o trecho forasteiro. Por isso importa respeitarmos o contexto do trecho citado.

Mas é importante lembrar que quando fazemos uma citação direta estamos dizendo à leitora que não somos capazes de expressar por nós mesmas ideias e argumentos. Nesse sentido a cópia pode ser bem-vinda, mas deve ser usada com moderação em um texto acadêmico. Citações diretas em excesso, além de deixar um texto esteticamente feio, sugerem fragilidade no campo argumentativo ou até mesmo preguiça. Um texto acadêmico não é uma simples colcha de retalhos na qual se amontoam diferentes citações – há o ensaio da criação intelectual e o cumprimento de determinadas regras da escritura científica. Título, resumo, introdução, resultados, conclusão e referências bibliográficas são alguns exemplos de partes mínimas que a maioria dos textos devem seguir na comunicação científica.

Há quem fuja das citações diretas fazendo pastiche. O pastiche é recurso estilístico das artes e literatura e foi resgatado por Debora Diniz e Ana Terra como conceito na escritura acadêmica para se referir a uma tentativa de encobrimento de cópia.[1] Ou seja, o pastiche é um plágio – mas não é óbvio como uma cópia esquecida das aspas. No pastiche não há cópia literal, mas a cópia está lá com palavras modificadas, ordens invertidas ou uso de sinônimos. Um computador não reconhecerá um pastiche como um plágio, mas se o texto do pastiche for lido por leitoras minimamente atentas o plagiador será descoberto.

Aqui é importante não confundir: pastiche não é paráfrase, pois não há ensaio criativo ou apropriação de argumentos e teorias. O pastiche é uma cópia encoberta, uma tentativa de enganar leitoras desavisadas. Já a paráfrase é escritura criativa.  

Você também pode conferir o podcast: 




[1] Diniz, Debora; Munhoz, Ana Terra Mejia. Cópia e pastiche: plágio na comunicação científica. Argumentum (Vitória), v. 3, p. 11-28, 2011.

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