A cópia pode
ser uma prova de honestidade intelectual, pois o trecho copiado virá sem
alteração de pontuações ou palavras – tudo deverá ser exatamente igual. Usaremos
as aspas para alertar a leitora que o texto não é nosso e indicaremos a página
da obra citada para a leitora perseguir, se assim desejar, o trecho forasteiro.
Por isso importa respeitarmos o contexto do trecho citado.
Mas é
importante lembrar que quando fazemos uma citação direta estamos dizendo à
leitora que não somos capazes de expressar por nós mesmas ideias e argumentos. Nesse
sentido a cópia pode ser bem-vinda, mas deve ser usada com moderação em um
texto acadêmico. Citações diretas em excesso, além de deixar um texto
esteticamente feio, sugerem fragilidade no campo argumentativo ou até mesmo
preguiça. Um texto acadêmico não é uma simples colcha de retalhos na qual se
amontoam diferentes citações – há o ensaio da criação intelectual e o
cumprimento de determinadas regras da escritura científica. Título, resumo,
introdução, resultados, conclusão e referências bibliográficas são alguns
exemplos de partes mínimas que a maioria dos textos devem seguir na comunicação
científica.
Há quem fuja
das citações diretas fazendo pastiche.
O pastiche é recurso estilístico das artes e literatura e foi resgatado por
Debora Diniz e Ana Terra como conceito na escritura acadêmica para se referir a
uma tentativa de encobrimento de cópia.[1]
Ou seja, o pastiche é um plágio – mas não é óbvio como uma cópia esquecida das
aspas. No pastiche não há cópia literal, mas a cópia está lá com palavras
modificadas, ordens invertidas ou uso de sinônimos. Um computador não
reconhecerá um pastiche como um plágio, mas se o texto do pastiche for lido por
leitoras minimamente atentas o plagiador será descoberto.
Aqui é
importante não confundir: pastiche não é paráfrase, pois não há ensaio criativo
ou apropriação de argumentos e teorias. O pastiche é uma cópia encoberta, uma
tentativa de enganar leitoras desavisadas. Já a paráfrase é escritura criativa.
Você também pode conferir o podcast:
[1] Diniz, Debora; Munhoz, Ana Terra Mejia. Cópia e pastiche: plágio na
comunicação científica. Argumentum (Vitória), v. 3, p. 11-28, 2011.

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