Uma
inquietação compartilhada entre as estudantes de pós-graduação, ou mesmo entre
aquelas que estão no fim da graduação e desejam perseguir a carreira acadêmica,
é a de ultrapassar a barreira do primeiro texto publicado. Há dúvidas sobre
como iniciar a voz autoral fora do espaço protegido da sala de aula. Publicar
uma resenha pode ser uma excelente entrada no mundo da comunicação científica. Escrever
uma resenha pode, por exemplo, ser um belo exercício para uma estudante de
mestrado que se debruçou em uma obra durante um, dois ou vários meses. Por que
não aproveitar o olhar crítico sobre o lido para exercitar a escrita e ensaiar
a voz de autora? Eu diria que esta pode ser uma estratégia bem interessante.
As resenhas são um tipo de comunicação na ciência. Muitos periódicos têm espaços específicos e garantidos para elas. Há pequenas variações nas normas e composições da escritura de uma resenha a depender da revista escolhida, como por exemplo, o número de páginas e o ano de publicação da obra a ser resenhada. Normalmente as revistas exigem obras recentes, publicadas há no máximo dois ou três anos. Apesar das pequenas diferenças, as boas resenhas carregam características semelhantes. Hoje apresentarei três delas.
A resenha
apresenta a obra lida às futuras leitoras.
Essa frase
parece óbvia, mas aqui me custa pouco dizer o que na teoria parece simples e na
prática nem tanto. A leitora de uma resenha ainda não leu a obra resenhada, por
isso faz sentido apresentar um panorama geral da obra, onde ela está
localizada, quais são seus capítulos e principais argumentos.
Uma resenha
não se resume a um conjunto de paráfrases.
A resenha é
uma tomada de posição e não somente um resumo dito por autoras da obra que
decidimos resenhar. A autora da resenha faz um balanço crítico sobre o lido:
pode fazer elogios, mas também apresentar fragilidades da obra. Ou seja, há
autoria em uma resenha, e por isso ela exige de nós esforço.
A resenha
tem a potência de fazer avançar o debate científico.
Se a resenha
não é apenas paráfrase e tem a potência apresentar reflexões e críticas em
torno do lido, ela pode ser um interessante instrumento para a introdução de
novas perguntas teóricas e metodológicas em um determinado campo.
Você também pode conferir o podcast:

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