domingo, 3 de abril de 2016

A paráfrase malfeita e
o plágio-pastiche

Lembra-se desta definição?

Plágio: apropriação indevida e não autorizada de criação literária, que viola o direito de atribuição de crédito do autor e a expectativa de sinceridade no leitor (Diniz; Terra, 2014, p. 23).
Falamos desse conceito, proposto por Debora Diniz e Ana Terra, em um post passado, e já dirigimos nossos holofotes também para a desilusão que o plágio causa no leitor — essa quebra na expectativa de sinceridade da leitura e, por consequência, na ciência. Hoje damos mais um passo em nosso percurso pelo tema do plágio e aprofundamos sua descrição. Todo plágio é igual? Certamente não.

Há pelo menos duas formas como o desajeito do plágio se manifesta. A primeira é ingênua e vulgar: é o plágio-cópia, Ctrl C + Ctrl V, de que tratamos no último post. Seja por esquecimento de aspas, seja por ausência de expectativa de ser lido, o plagiador mantém o texto original, mudando apenas a assinatura. E é claro que sua mentira terá pernas curtíssimas: qualquer leitor, humano ou programa caça-plágio, poderá rapidamente identificar a cópia.

A segunda é, digamos, mais sofisticada. Chamamos essa forma de plágio-pastiche. Antes, porém, cabe uma palavrinha sobre o que é pastiche: Debora Diniz e Ana Terra tomaram esse conceito do mundo das artes, onde a imitação criativa dá boas-vindas às releituras, às paródias ou ao apuro de uma técnica. Você seguramente conhece a Mona Lisa, tela de Leonardo da Vinci do início do século XVI. E talvez já tenha visto também esta de Fernando Botero, de 1978:

Botero plagiou Da Vinci? Claro que não!
Não vale acusar Botero de plágio, certo? Na arte, o movimento de empréstimos entre obras é impulso, inspiração, aprofundamento — houve um estudo de técnica de volume para engordar a Gioconda. Isso não quer dizer que não exista plágio no campo das artes; nosso ponto, aqui, é que as fronteiras de empréstimo criativo na escrita acadêmica são bem menos elásticas. Não podemos deixar de explicitar nossas rotas de inspiração em ciência. Muito menos fazer pastiche de texto. Mas como o plágio-pastiche se materializa?

E boa paráfrase é sinal de escrita autoral :)
Pelo disfarce da cópia: pequenas trocas de palavra, inversões de ordem da frase, substituição de conectivos — uma paráfrase tosca. O plágio-pastiche dá um pouco mais de trabalho aos softwares e leitores, mas repetimos: se perna de plagiador é curta, olhos de bom leitor são de lince.

Para conhecer melhor esse conceito, leia Plágio: palavras escondidas. Saiba mais sobre o livro aqui.


No podcast de hoje, aprofundamos a ideia do plágio-pastiche. Como ele acontece?

Leia aqui a transcrição do áudio.

0 comments:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.

Envie-nos sua dúvida ou história de plágio

Nome

E-mail *

Mensagem *