O tema da
repetição na escrita tem sido recorrente por aqui. Falamos também sobre como a
citação e a paráfrase são bons exercícios para evitarmos uma acusação de
plágio. Mas hoje gostaria de fazer uma provocação: o que fazer para evitarmos
que um texto seja mal interpretado pelo leitor e a paráfrase indicar aquilo que
nunca teria sido escrito pela autora original?
Debora Diniz
e Ana Terra relembram no livro Plágio:
Palavras Escondidas a afirmação de Umberto Eco[1]
sobre as permanentes ressignificações de um texto lido e as rotas
argumentativas inauguradas por uma leitora. Nesse sentido a paráfrase não seria
“propriedade do autor original” (p. 75), mas uma criação do leitor. Faz sentido
afirmarmos que a responsabilidade por uma citação é apenas daquele que cita,
por isso a importância de sempre buscarmos as autoras originais e não fontes
secundárias em nossas rotinas de estudo.
Ao mesmo
tempo devemos estar atentas, pois nem tudo vale em uma paráfrase – importa manter
a coerência com o trecho citado e a obra. É importante mantermos cautela quando
citamos autores, principalmente quando ainda temos pouco domínio daquilo que
escreveram. Como falar, por exemplo, de Michel Foucault ou Judith Butler lendo
apenas o capítulo da tese de sua colega que estudou as obras? Ou com a leitura
apenas da introdução ou conclusão de um de seus livros? A resposta a essas
perguntas pode trazer discussões acaloradas sobre qual seria então o momento em
que estaríamos prontas para citar um autor forte. E aqui minha dica é simples,
talvez até covarde:
Menos é mais.
Ou seja:
gosta de Foucault? Quer citá-lo em sua monografia? Estude em profundidade um ou
dois de seus livros. Conheça o seu ritmo de leitura e aos poucos estará pronta
para ler a obra inteira, se assim desejar. Mas lembre-se: a leitura e estudo de
um texto teórico é mais lenta que a de um livro de literatura que leríamos nas
horas vagas.
Acha pouco
citar apenas um livro? Se um jovem pesquisador dominar o que um autor forte
escreveu em uma de suas obras tenho certeza que já terá uma bonita discussão teórica
no artigo ou monografia.
Você também
pode conferi o podcast aqui:
[1] Eco,
Umberto. Confissões de um jovem romancista. Tradução: Marcelo Pen. São Paulo:
Cosac Naify, 2013.
Diniz, Debora; Terra, Ana. Plágio: palavras escondidas. Brasília: LetrasLivres; Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.
Diniz, Debora; Terra, Ana. Plágio: palavras escondidas. Brasília: LetrasLivres; Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.





