No início da
caminhada acadêmica não é surpresa se deparar com o plágio cometido por estudantes
desavisados. Jovens estudantes – e ousaria dizer que até pesquisadores
experientes – no momento em que são acusados de plágio e, quando sua
materialidade fica comprovada, defendem-se dizendo que o ato foi
não-intencional.
No último
post falamos sobre a importância de aprender a ler e pensar o lido para o
exercício da repetição como uma das etapas para nos tornarmos autoras. Repetir
não é necessariamente sinônimo de plágio – e por isso há dicas simples para evitarmos
o fantasma da pseudoautoria.
1.
A memória
nos trai: o caminho para a escrita de um artigo, trabalho de
conclusão de disciplina, monografia, teses e dissertações é longo. Isso
significa que lemos e estudamos muitas fontes antes de iniciarmos a escrita.
Alguns estudantes acusados de plágio justificam que as palavras alheias podem
ficar na lembrança e se confundem com o texto no momento da escrita. Aqui é
importante não confundir plágio com as rotas que percorremos durante o estudo e
que nos influenciam na escrita. Na dúvida sempre cite as fontes.
2.
Organize as
anotações de leitura: há quem goste de ler escrevendo. Um caderno colorido
ou folhas de papel em branco acompanham muitos estudantes durante as horas de
leitura. Novamente a repetição é exercício nas notas e fichamentos – estudantes
copiam trechos e registram o lido. Mas notas pouco organizadas ou buscadas
tempos depois da leitura devem sempre ser encaradas com atenção. Um trecho
escrito em pedaço de papel pode ser do autor lido, mas um estudante desatento
toma aquele trecho escrito a lápis como seu quando retorna meses depois ao
papel empilhado em sua escrivaninha. Há uma dica simples que pode evitar o
esquecimento sobre o que registramos em nossas notas de leitura: diferenciar as
cores das primeiras ideias escritas a partir do texto dos trechos ainda não elaborados
da leitura pode ser um primeiro passo para impedir um plágio desavisado. Se
gosta de escrever a mão use, por exemplo, caneta para as notas ainda não
elaboradas e lápis para uma nova ideia.
3.
Domine as
regras da escrita acadêmica e normalização bibliográfica: não vale
dizer que odeia a ABNT e que por isso faz questão de ignorá-la. Após uma
acusação de plágio valerá pouco dizer que apenas se esqueceu de colocar
autor-ano entre parênteses ou esqueceu o recuo das citações diretas. Aprender
as regras básicas da escritura acadêmica nos custa muito pouco e evitará uma
dor de cabeça futura. Aqui não é apenas a ABNT que importa – se vai enviar um
artigo para uma revista certifique-se das normas editoriais.
Espero vocês
em uma próxima oportunidade. Um grande abraço.
Você pode também conferir o Podcast aqui:
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