Nas próximas semanas
falaremos sobre um livro divertido e que à primeira vista pode até parecer
tolo, mas se olharmos atentamente, podemos também encará-lo como uma leitura
preparatória para o ensaio do pensamento crítico sobre metodologia e criação. O
livro é Roube como um artista: 10 dicassobre criatividade, de Austin Kleon. Se o título bem-humorado pode parecer
um elogio ao plágio, não se enganem: o livro é mais sofisticado que parece.
Será pouco provável
que na livraria o livro esteja em estantes de metodologia científica, mas
acreditem: este livrinho supostamente despretensioso pode servir de fôlego para
as jovens pesquisadoras e estudantes que enfrentam o momento da escrita de
projetos de pesquisa, dissertações e teses de doutorado. “Roube como um artista”
e “Não espere até saber quem você é para começar” são os dois primeiros
capítulos do livro. Os capítulos já soam como slogans e convites para a
reflexão sobre os lugares que decidiremos ocupar no ensaio na criatividade
Para Kleon “nada é
original” – essa provocação é uma tentativa de livrar as jovens almas do peso
da existência de uma suposta originalidade completa. Saber quem nos influencia
e nos deixar influenciar por aquelas que admiramos e conquistaram seu lugar ao
sol antes de nós é um primeiro passo para construir novas ideias. “Você será tão bom quanto as coisas com as
quais você se cerca”, disse Kleon. Para ele o trabalho de um artista é
colecionar, mas este não deveria ser confundido com o trabalho de uma
acumuladora. A colecionadora escolhe ideias e fontes das quais se interessa e é
a partir de sua coleção que começará a se deixar influenciar. Se a
colecionadora seleciona, a acumuladora coleciona indiscriminadamente.
Ou seja, nós
iniciaremos nossos estudos em profundidade sobre determinados temas e conceitos
ao mesmo tempo em que colecionamos ideias sobre autoras e teóricas que admiramos.
A provocação de Kleon faz sentido, ao menos para mim. Começar copiando alguém
não é o mesmo que plagiar, “plágio é tentar fazer o trabalho de outro passar por
seu. Copiar é engenharia reversa”, disse Kleon. Nesse sentido a cópia não seria
de palavras, frases ou orações – mas de estilo, pensamento, formas de olhar o
mundo.
Mas Kleon nos atenta
para algo importante – ele disse: “em algum momento, você terá que passar da
imitação dos seus heróis para a emulação deles”. Ou seja, teremos que dar um
passo adiante e transformar a cópia em criação. É nesse sentido que o título do
segundo capítulo pode ser entendido também como um conselho – é no ato de criar
que descobrimos quem somos. E para isso só há uma saída: começar.
Kleon, Austin. Roube como um artista. Rio de Janeiro: Rocco. 2013.

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