Esse será o segundo e
último post sobre o livro de Austin Kleon, Roube como um artista. Já perdi as
contas de quantas vezes li esse livrinho – a parte boa dele é que não
precisamos ler os capítulos-dicas em ordem, tampouco ler sempre tudo de uma só
vez. Vale a pena ir e voltar nas partes que acharem mais interessantes. Além
disso as ilustrações são geniais – e resumem muitas das experiências vividas
durante o exercício da escrita e do pensamento na vida acadêmica. Abaixo elenco
alguns conselhos bacanas.
“Escreva sobre o que você gosta antes mesmo
de escrever sobre o que conhece” – esse é o conselho de Kleon para uma
escritora iniciante. Algumas de nós podem achar estranho uma recomendação de
exercer a escrita sobre o que gostaria de ler antes mesmo da escritura sobre algo
que se sabe. O estranhamento provavelmente virá, pois há uma expectativa de que
a escrita de uma aprendiz de escritora-pesquisadora esteja localizada em um
determinado modus operandi. As regras
específicas que diferenciam a escrita acadêmica da prosa literária não podem
ser vistas como empecilhos para a escrita criativa. E muito menos para nos
impedir de fazer aquilo que gostamos. Acredite: escrever sobre um tema que lhe
interessa transformará o exercício da escritura em um prazer. Não acredite em
quem diz que a escrita deve ser necessariamente um momento de sofrimento.
“Não jogue fora
nenhuma parte sua”. Esse conselho é uma provocação para não nos esquecermos
nunca de nossos projetos paralelos ou daquilo que fazemos nos momentos de
lazer. Os momentos de distração poderão ser grandes fontes de criatividade. Por
exemplo: gosta de ler? Já pensou que a ficção pode lhe ajudar a pensar sobre
seus problemas de pesquisa? Nunca acredite que ler literatura, ouvir música ou
caminhar no parque com o seu cachorro são perdas de tempo.
“Estabeleça e
mantenha uma rotina”. Saber usar o tempo é provavelmente muito mais importante
do que ter todo o tempo do mundo. Manter um ritmo é fundamental para o
exercício de qualquer trabalho criativo. Crie uma rotina diária de leitura ou
escrita, arrume um horário todos os dias – não importa se 30 minutos ou 3
horas. Kleon disse algo que considero fundamental: “trabalho concluído é tempo
disponível”. Se fizer um pouquinho todos os dias no fim de um mês terá
bastante: escrever um parágrafo por dia parece pouco, mas em 30 dias terá mais
de uma dezena de páginas. Se ficar uma semana sem olhar para o seu texto verá
que levará o dobro do tempo para retomá-lo.
“Arranje um
calendário para você”. Verá que colocar no papel os prazos lhe ajudará a
construir metas, objetivos e lhe manterá consciente do percurso até finalizar
sua escrita. O calendário ajuda inclusive a preencher espaços vazios que nem
lembrávamos que existiam.
“Escolha o que deixar
de fora”. Assim como todo o tempo do mundo pode ser um perigo para os procrastinadores
de plantão, possibilidades ilimitadas pode se tornar um bloqueio para a
criatividade. Limite suas possibilidades – já falamos por aqui: menos é mais.
Kleon disse uma coisa bacana: “no fim das contas, criatividade não é apenas o
que escolhemos usar, são as coisas que escolhemos deixar de fora”. Faz sentido,
não?
Essas dicas lhe
parecem interessantes? Será um prazer imenso ouvi-las e trocar experiências.
Kleon, Austin. Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.
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