domingo, 26 de fevereiro de 2017

Dicas sobre criatividade


Esse será o segundo e último post sobre o livro de Austin Kleon, Roube como um artista. Já perdi as contas de quantas vezes li esse livrinho – a parte boa dele é que não precisamos ler os capítulos-dicas em ordem, tampouco ler sempre tudo de uma só vez. Vale a pena ir e voltar nas partes que acharem mais interessantes. Além disso as ilustrações são geniais – e resumem muitas das experiências vividas durante o exercício da escrita e do pensamento na vida acadêmica. Abaixo elenco alguns conselhos bacanas.

Escreva sobre o que você gosta antes mesmo de escrever sobre o que conhece” – esse é o conselho de Kleon para uma escritora iniciante. Algumas de nós podem achar estranho uma recomendação de exercer a escrita sobre o que gostaria de ler antes mesmo da escritura sobre algo que se sabe. O estranhamento provavelmente virá, pois há uma expectativa de que a escrita de uma aprendiz de escritora-pesquisadora esteja localizada em um determinado modus operandi. As regras específicas que diferenciam a escrita acadêmica da prosa literária não podem ser vistas como empecilhos para a escrita criativa. E muito menos para nos impedir de fazer aquilo que gostamos. Acredite: escrever sobre um tema que lhe interessa transformará o exercício da escritura em um prazer. Não acredite em quem diz que a escrita deve ser necessariamente um momento de sofrimento.

Não jogue fora nenhuma parte sua”. Esse conselho é uma provocação para não nos esquecermos nunca de nossos projetos paralelos ou daquilo que fazemos nos momentos de lazer. Os momentos de distração poderão ser grandes fontes de criatividade. Por exemplo: gosta de ler? Já pensou que a ficção pode lhe ajudar a pensar sobre seus problemas de pesquisa? Nunca acredite que ler literatura, ouvir música ou caminhar no parque com o seu cachorro são perdas de tempo.

Estabeleça e mantenha uma rotina”. Saber usar o tempo é provavelmente muito mais importante do que ter todo o tempo do mundo. Manter um ritmo é fundamental para o exercício de qualquer trabalho criativo. Crie uma rotina diária de leitura ou escrita, arrume um horário todos os dias – não importa se 30 minutos ou 3 horas. Kleon disse algo que considero fundamental: “trabalho concluído é tempo disponível”. Se fizer um pouquinho todos os dias no fim de um mês terá bastante: escrever um parágrafo por dia parece pouco, mas em 30 dias terá mais de uma dezena de páginas. Se ficar uma semana sem olhar para o seu texto verá que levará o dobro do tempo para retomá-lo.  

Arranje um calendário para você”. Verá que colocar no papel os prazos lhe ajudará a construir metas, objetivos e lhe manterá consciente do percurso até finalizar sua escrita. O calendário ajuda inclusive a preencher espaços vazios que nem lembrávamos que existiam.

Escolha o que deixar de fora”. Assim como todo o tempo do mundo pode ser um perigo para os procrastinadores de plantão, possibilidades ilimitadas pode se tornar um bloqueio para a criatividade. Limite suas possibilidades – já falamos por aqui: menos é mais. Kleon disse uma coisa bacana: “no fim das contas, criatividade não é apenas o que escolhemos usar, são as coisas que escolhemos deixar de fora”. Faz sentido, não?

Essas dicas lhe parecem interessantes? Será um prazer imenso ouvi-las e trocar experiências.

Kleon, Austin. Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

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