domingo, 12 de fevereiro de 2017

Problema de pesquisa e título funcional

Neste domingo continuaremos por aqui inspiradas na leitura do livro Carta de uma orientadora, de Debora Diniz. No último post falamos sobre algumas formas de se preparar para o primeiro encontro com a orientadora. Mas outro passo importante durante o planejamento de um projeto de pesquisa ou monografia é também a construção do problema de pesquisa e do título funcional. E pode ser bem interessante ter um desenho do título e do problema antes mesmo do primeiro encontro com sua orientadora.
Mas para quê títulos funcionais? A escrita de títulos funcionais nos “forçará a fazer as primeiras escolhas”, alertou Diniz (:26). A definição de interesses e desejos sobre aquilo que se pretende estudar normalmente nos mobilizou antes mesmo do encontro com a orientadora. A maioria de nós temos interesses políticos, éticos ou curiosidades sobre um ou mais grandes temas. Mas, para a construção de um projeto de pesquisa é importante transformar um tópico de interesse em um problema de pesquisa. E para isso intuição ou boa-vontade não bastam.
Diniz problematiza no livro como pode ser interessante ser uma “turista textual” no momento em que ainda estamos explorando os temas que gostamos – ou seja, passear por textos e bibliografias de sua área de interesse antes de arriscar um problema de pesquisa e escrever o título funcional. Esta primeira aproximação não seria um momento para o estudo em profundidade ou para escolher a bibliografia de referência. No entanto, a leitura de publicações poderá ser útil para ter uma visão geral de como se dá o debate e os estudos no campo em que deseja se aproximar.
Mas o que é um título funcional? Diniz nos responde: “título funcional é uma frase curta que representará seu tema de pesquisa” (:29). Em outras palavras – o título funcional é a frase que descreve resumidamente sua pesquisa para outras pessoas. O título funcional descreverá o seu problema de pesquisa. Sabe quando alguém lhe pergunta no elevador “o que você está estudando”? Se você tiver um problema de pesquisa provavelmente conseguirá formular um título funcional e responder com clareza e objetividade. Diniz aconselha que um bom título funcional poderá ter em torno de 15 palavras – esse número não é mágico, mas pode servir como guia para a construção de um título objetivo e sucinto. Nesse sentido, responder à sua interlocutora do elevador: “estou estudando sobre mulheres presas”, explica muito pouco sobre o que fará na sua pesquisa.
Provavelmente o título funcional escrito durante a elaboração do projeto não será o título de seu artigo, monografia ou dissertação. Mas ele, ao lado de seu problema de pesquisa poderão cumprir uma função fundamental para servir como guia no planejamento da pesquisa. E lembre-se: o título funcional poderá sempre ser melhorado, revisado e modificado; pois a sua função é servir de ferramenta e guia nos passos iniciais de planejamento e execução da pesquisa.
Em Carta de uma orientadora Diniz apresenta alguns exemplos de títulos funcionais, e como diferentes combinações com palavras-chaves semelhantes podem apresentar pesquisas muito diferentes. Depois de ler o livro experimente o exercício de se debruçar pensando em possibilidades para a descrição de seu título funcional a partir dos conceitos de seu interesse e palavras –chaves de seu campo de estudo.

Sobre palavras-chaves, já falamos no Blog aqui.

*Diniz, Debora. Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa. Brasília:  LetrasLivres, 2013.

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