Neste domingo
continuaremos por aqui inspiradas na leitura do livro Carta de uma orientadora, de Debora Diniz. No último post falamos
sobre algumas formas de se preparar para o primeiro encontro com a orientadora.
Mas outro passo importante durante o planejamento de um projeto de pesquisa ou
monografia é também a construção do problema de pesquisa e do título funcional.
E pode ser bem interessante ter um desenho do título e do problema antes mesmo
do primeiro encontro com sua orientadora.
Mas para quê títulos
funcionais? A escrita de títulos funcionais nos “forçará a fazer as primeiras
escolhas”, alertou Diniz (:26). A definição de interesses e desejos sobre
aquilo que se pretende estudar normalmente nos mobilizou antes mesmo do encontro
com a orientadora. A maioria de nós temos interesses políticos, éticos ou
curiosidades sobre um ou mais grandes temas. Mas, para a construção de um
projeto de pesquisa é importante transformar um tópico de interesse em um
problema de pesquisa. E para isso intuição ou boa-vontade não bastam.
Diniz problematiza no
livro como pode ser interessante ser uma “turista textual” no momento em que
ainda estamos explorando os temas que gostamos – ou seja, passear por textos e
bibliografias de sua área de interesse antes de arriscar um problema de
pesquisa e escrever o título funcional. Esta primeira aproximação não seria um momento
para o estudo em profundidade ou para escolher a bibliografia de referência. No
entanto, a leitura de publicações poderá ser útil para ter uma visão geral de
como se dá o debate e os estudos no campo em que deseja se aproximar.
Mas o que é um título
funcional? Diniz nos responde: “título funcional é uma frase curta que
representará seu tema de pesquisa” (:29). Em outras palavras – o título
funcional é a frase que descreve resumidamente sua pesquisa para outras
pessoas. O título funcional descreverá o seu problema de pesquisa. Sabe quando alguém
lhe pergunta no elevador “o que você está estudando”? Se você tiver um problema
de pesquisa provavelmente conseguirá formular um título funcional e responder
com clareza e objetividade. Diniz aconselha que um bom título funcional poderá
ter em torno de 15 palavras – esse número não é mágico, mas pode servir como
guia para a construção de um título objetivo e sucinto. Nesse sentido,
responder à sua interlocutora do elevador: “estou estudando sobre mulheres
presas”, explica muito pouco sobre o que fará na sua pesquisa.
Provavelmente o
título funcional escrito durante a elaboração do projeto não será o título de
seu artigo, monografia ou dissertação. Mas ele, ao lado de seu problema de
pesquisa poderão cumprir uma função fundamental para servir como guia no
planejamento da pesquisa. E lembre-se: o título funcional poderá sempre ser
melhorado, revisado e modificado; pois a sua função é servir de ferramenta e
guia nos passos iniciais de planejamento e execução da pesquisa.
Em Carta de uma
orientadora Diniz apresenta alguns exemplos de títulos funcionais, e como
diferentes combinações com palavras-chaves semelhantes podem apresentar
pesquisas muito diferentes. Depois de ler o livro experimente o exercício de se
debruçar pensando em possibilidades para a descrição de seu título funcional a
partir dos conceitos de seu interesse e palavras –chaves de seu campo de
estudo.
Sobre palavras-chaves,
já falamos no Blog aqui.
*Diniz, Debora. Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa. Brasília: LetrasLivres, 2013.
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