O tema da
integridade acadêmica sempre passeia por aqui. Há inúmeros documentos de
universidades ao redor do mundo e organizações internacionais que incluem
normas e princípios éticos a serem compartilhados na comunidade científica – desde
as primeiras etapas de uma pesquisa ao escritos de seus resultados.
O texto científico, se comparado à literatura, é de estilo prosaico. As leitoras de
peças acadêmicas esperam que os textos lidos comuniquem sobre seus achados de
pesquisa com honestidade e clareza. Quando buscamos em textos acadêmicos
respostas para algumas de nossas inquietações, é porque confiamos na ciência.
Há sempre exceções, claro; mas não há expectativa de que um texto científico
seja brilhante pelo estilo estético ou literário – na verdade os escritos científicos são basicamente feitos de textos ordinários.
Assim, os
textos podem ser simples, diretos, sem rodeios ou poesia. Mas há
características que devem ser
seguidas durante o percurso acadêmico. Dever é verbo forte, mas reflete o
caráter normativo da criação intelectual no campo da ciência. E é aí que entra
o tema da integridade acadêmica. Nesse sentido, a leitora de um artigo, tese ou
monografia espera que o texto seja mesmo da autora que assina, confia que os dados
apresentados foram um dia coletados e que foram tratados com rigor
metodológico. Mas nem sempre isso acontece, seja por desespero com prazos
apertados, metas para publicação, ingenuidade ou desconhecimento das regras.
Diferentes órgãos
e Universidades brasileiras já lançaram orientações e diretrizes sobre plágio e
integridade na pesquisa – como por exemplo a UFRJ, UFSCar e Fapesp. A
integridade está ancorada no campo da ética, e na comunidade científica
relaciona-se, por exemplo, ao rigor metodológico, transparência,
responsabilidade da pesquisadora e honestidade intelectual durante a pesquisa e
publicação dos resultados.
Infrações à
integridade científica são cada vez mais discutidas dentro do contexto
acadêmico – mas não há consenso sobre as medidas cabíveis quando um estudante
ou pesquisador são descobertos. Um ato considerado intencional provavelmente
será considerado mais gravoso que um ato não intencional. Assim como um estudante
de graduação possivelmente terá sanções menos impactantes em sua carreira
profissional que um professor universitário. As sanções podem ser desde tirar
zero em uma prova, passando por reprovação em disciplina até demissão de uma
Universidade Pública. Más condutas científicas devem ser combatidas, mas
acreditamos pouco na punição como recurso de mudança. As saídas pedagógicas nos
parecem mais interessantes e podem estimular o debate acadêmico sobre
integridade na pesquisa e escrita.
Para quem
quiser se aprofundar no tema, algumas leituras podem ser interessantes:
Você também poderá conferir aqui o podcast:

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