
A
escrita será parte da rotina de uma estudante e jovem pesquisadora em diferentes
momentos de sua trajetória acadêmica. Durante a graduação as estudantes
provavelmente farão exercícios em sala de aula, controles de leitura e trabalhos
de conclusão de disciplina. Nem todas decidirão seguir uma pós-graduação após
se formarem, mas para concluir a graduação a maioria terá que enfrentar a
escritura de uma monografia – ao menos nos cursos das ciências sociais esse é
um cenário comum.
Uma
tática de sobrevivência que muitas recorrem durante o semestre letivo é o de escrever
textos para a conclusão das disciplinas sem a leitura de colegas ou uma revisão
após a primeira escritura. Durante a graduação geralmente escrevemos trabalhos
finais de disciplinas na véspera, reunindo um compilado de tudo o que lemos
durante o semestre. Claro que há diferenças entre um texto escrito como
exercício para concluir uma disciplina e um texto escrito para se tornar
público. Mas essa rotina da escritura feita em um só folego sem revisão ou
reescritas acaba gerando a expectativa de que um bom texto é aquele escrito de
uma só vez. Nesse sentido, um texto revisado por uma professora ou monitora acaba
se transformando para muitas estudantes em sinônimo de um texto ruim, um
fracasso.
Durante
a escrita da monografia, por exemplo, sugerimos que o seu rascunho seja reescrito
após a leitura e releitura do grupo de leitoras. Receber críticas de nossos
primeiros escritos é um grande privilégio. Nenhum texto nasce pronto – duvidar das
primeiras versões durante o processo de escritura de um texto acadêmico nos
parece uma estratégia muito interessante para encarar o rascunho como parte
fundamental de qualquer exercício de escritura.
Não
sei se conseguiremos acalmar os corações de uma jovem escritora, mas acreditem:
todo texto começará com rabiscos, para se tornarem rascunhos para só depois se
transformarem em textos finais. Já falamos por aqui sobre a importância de
formamos comunidades de primeiras leitoras – pequenos grupos de colegas que
lerão nossos rascunhos. E vejam que o que entendemos por rascunhos não são os primeiros
rabiscos. Os rascunhos são os textos já reescritos – é a escritura
intermediária, mas ainda sem leitoras. Diferente dos rabiscos que não deveriam
ser compartilhados, pois seriam uma versão ainda muito inicial, os rascunhos
são como a primeira versão de um texto para ser circulado entre esse pequeno
grupo de leitoras. É esse pequeno grupo que dirá se o que escrevemos faz
sentido, se as leitoras forem generosas farão críticas, sugerirão alterações e
comentarão muito, muito mesmo. Quanto
mais um texto for lido, relido e criticado mais forte será após sua revisão. E
mais fortalecidas estaremos para o debate público, caso seja publicado.
Você também poderá conferir o podcast: https://soundcloud.com/palavrasescondidas/a-resenha-e-a-escritura-academica
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