O que acontece quando se encontra um erro num artigo já publicado? Das duas, uma: ou o artigo será corrigido ou, na pior hipótese, será retratado. Em 2009, o Comitê de Ética na Publicação (COPE) desenhou diretrizes para auxiliar na tomada de decisão: uma publicação deverá ser retratada se divulgar resultados não confiáveis — por equívoco honesto ou por fraude; se não for inédita (um indesejado caso de redundância na literatura); se tiver plágio; ou se derivar de estudo que feriu princípios éticos em pesquisa.
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| Marca d'água sobre artigo retratado |
De editores a autores, a retratação incomoda muita gente. Para os editores, publicar uma nota de retratação é fazer um pedido público de desculpas à comunidade acadêmica: no amontoado de originais concorrendo para serem aceitos, a revista selecionou justamente o manuscrito problemático. Por isso, retratar uma publicação é também uma forma de remendar a literatura, garantindo a integridade do conhecimento acadêmico e a transparência diante da comunidade de leitores — aquele artigo não será mais indicado como fonte confiável e merecedora de leitura, menos ainda de citação.
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| Por ter nascido noutro lugar (Francisco Goya, c. 1810-1811) |
Para os autores, ter um artigo retratado é uma sentença de constrangimento que pode chegar ao ostracismo: o carimbo vermelho que anula o texto parece anular, também, o respeito e a confiabilidade daquele pesquisador perante seus pares acadêmicos. O autor será relegado àquele cantinho da sala onde antigamente se castigava a criança mal-comportada: emudecido e ornado com o chapéu da vergonha.
O podcast de hoje fala desse triste fim da publicação acadêmica, a retratação. É um trecho do sexto capítulo de Plágio: palavras escondidas, livro de Debora Diniz e Ana Terra.
Leia aqui a transcrição do áudio.


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